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Tênis de mesa: em “casa”, Hugo Hoyama vive 2ª Olimpíada como técnico

21/07 às 22h21 por Agência Brasil *
Esportes

Mais de 18,5 mil quilômetros separam São Bernardo do Campo, município do ABC paulista onde nasceu Hugo Hoyama, de Tóquio. O que não impede o ex-mesatenista de se sentir em casa no país-sede da oitava Olimpíada da carreira. Além de ser neto de japoneses, ele passou dez meses estudando (e treinando) na Nihon Daigaku, a maior universidade nipônica, em 1985.

“A emoção é a mesma de estar com a delegação brasileira. Para mim, será particularmente especial por ser no Japão, que é a minha segunda casa. Sou descendente, conheço bem a cultura, aprendi muita coisa lá e tenho muitos amigos”, disse o ex-mesatenista à Agência Brasil.

No Brasil, poucos sabem o que é representar o país em uma Olimpíada como Hugo. Além das seis edições que participou como atleta, entre Barcelona (Espanha), em 1992, e Londres (Grã-Bretanha), em 2012, ele foi técnico da seleção brasileira feminina de tênis de mesa nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

Cinco anos depois, Hugo segue à frente da equipe feminina. Em Tóquio, é responsável por um grupo semelhante ao da Rio 2016, com as titulares Bruna Takahashi, Jéssica Yamada e Caroline Kumahara, além de Giulia Takahashi (irmã de Bruna) como suplente. Do quarteto, só Jéssica e Giulia não competiram em solo carioca. Esta última tem apenas 16 anos, mesma idade com a qual a irmã disputou a última Olimpíada.

“A Giulia está conosco desde a aclimatação e [a experiência] será muito importante para ela. Eu sou muito feliz de ter três atletas [titulares] muito focadas, responsáveis e disciplinadas. Isso faz com que fique tranquilo. Elas sabem que a preparação não foi a ideal [por conta da pandemia do novo coronavírus], mas que não foi a ideal para quase nenhum atleta. Quando se é disciplinado e focado, supera-se muitas coisas. Tenho certeza que é o que acontecerá”, destacou Hugo.

“Elas [Bruna, Jéssica e Caroline] estão bem de ritmo de jogo, terminaram a temporada europeia [de clubes] jogando forte, muitas partidas. Quando você deixa de atuar, perde ritmo. Elas vinham jogando. Então, vamos na melhor preparação possível para lutarmos por um grande resultado. Pudemos chegar dez dias antes em Hamamatsu [cidade a 250 km de Tóquio]. Essa aclimatação é importante principalmente pelo fuso horário [diferença de 12 horas] e o clima, que é muito quente”, completou.

A seleção feminina está em Tóquio desde a última terça-feira (20). Bruna Takahashi e Jéssica Yamada serão as representantes do Brasil no torneio individual, que começa neste sábado (24). O sorteio das chaves ocorreu nesta quarta-feira (21). Número 142 do ranking da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), Jéssica estreia na primeira rodada contra a suíça Rachel Moret (87ª). Se vencer, terá pela frente a húngara Georgina Pota (53ª). Já Bruna (48ª) entra direto na segunda rodada e será adversária da ganhadora do duelo entre a egípcia Yousra Helmy (101ª) e a sino-francesa Jia Nan Yuan (95ª).

No torneio por equipes femininas, que reúne 16 países e ocorre entre 1º e 5 de agosto, o Brasil terá uma pedreira logo de cara: Hong Kong, a quinta seleção mais bem colocada no ranking da ITTF. As brasileiras estão em 19º lugar e se credenciaram à disputa com o título do pré-olímpico de Lima (Peru), em 2019. Se baterem as asiáticas, as comandadas de Hugo Hoyama pegam Romênia (sétima do ranking) ou Egito (17ª) nas quartas de final. Na Rio 2016, a estreia (com derrota) foi contra a China, nação de mais tradição na modalidade.

“Quem conhece tênis de mesa sabe que as grandes potências são asiáticas. China, principalmente, depois Japão, Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura. Mas tenho muita confiança. No individual, a Bruna já começa com um passo de vantagem por ser uma das cabeças de chave, então ganhar de uma atleta top-20, top-30 mundial [seria um grande resultado]. A Jéssica, passando da primeira ou segunda rodada, também. Será difícil, mas existem as chances, com certeza”, analisou Hugo.

“O foco é que elas entrem concentradas para, se tiverem a chance de ganhar de uma jogadora de alto nível, estarem preparadas para isso. E elas estão. Depende muito do dia. Sei bem disso pelo que vivi em seis Olimpíadas [como jogador]. Depende de cada um na mesa, de mim e do adversário”, concluiu o ex-mesatenista, que tem como melhor campanha olímpica o nono lugar em Atlanta (Estados Unidos), em 1996, quando venceu o sueco Jörgen Persson, campeão mundial em 1991.

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